Soneto da Fidelidade - Vinícius de Morais

De tudo, amo meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive)
Que nao seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto duro.

Vinícius de Morais (poeta modernista)

MORAIS, Vinícius. Antologia poética. São Paulo: Cia das Letras, 1998. 253p

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