Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela...
Amo-te assim, desconhecida e obscura,
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e silvo da procela,
E o arrolo da saudade e da ternura!
Amo teu viço agreste e teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma
Em que da voz matema ouvi: "Meu filho!",
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!
Olavo Bilac (poema parnasiano)
Barbosa, Frederico (org.). Clássicos da poesia brasileira. São Paulo: O Estado de São Paulo, 1999. 193 p.







