Depois de séculos de injúrias, finalmente os filisteus recebem elogios. Os arqueólogos estão descobrindo evidências de que esse povo — inimigo dos judeus nos tempos bíblicos, cujo nome se tornou sinônimo de barbárie e estupidez — era, na verdade, capaz de produzir fina cerâmica e arquitetura grandiosa e tinha planejadores urbanos inteligentes. Os judeus, naquela época em grande parte pastores e camponeses nas montanhas, eram o povo de cultura menos desenvolvida.
Em escavações recentes nas ruínas de Ashkelon, na costa de Israel, arqueólogos da Universidade de Harvard revelaram novos restos dessa cidade dos filisteus, exatamente como ela estava no dia de sua destruição pelo exército babilônico do rei Nabucodonosor, em 604 a.C. Foram encontrados potes com inscrições, edifícios e altares de pedra de desenho vistoso e técnica avançada. "Não se poderia imaginar habilidade artesanal maior do que a que vemos nesses últimos estágios da vida dos filisteus", afirmou o arqueólogo Lawrence Stager, chefe da expedição a Ashkelon.
Outras escavações reforçam essa nova impressão. Objetos datados de 1175 a.C. revelam que os filisteus dominavam a fundição do cobre mil anos antes de os romanos fazerem o mesmo. Nas ruínas de Ekron, no sul de Israel, descobriu-se que, enquanto os judeus usavam cerâmica crua e sem cores, os filisteus já faziam vasos coloridos.
As novas descobertas podem ter resolvido o mistério da origem dos filisteus, que estavam entre os povos marítimos que chegaram ao Oriente Médio no início do século 12 a.C.. Eles se agruparam entre as tribos hebraicas do leste e o império egípcio no sul. Agora se sabe que sua cerâmica é semelhante à dos gregos micênicos.
A análise da argila provou que ela é originária do local onde se encontraram os vasos. Além disso, outros objetos desenterrados são semelhantes aos encontrados no século 19 em sítios gregos micênicos.







